Imagens da Nasa mostraram, no início de fevereiro, uma China menos poluída, principalmente na região de Wuhan, com menos dióxido de nitrogênio na atmosfera, gás nocivo emitido por veículos automotores e instalações industriais. 

“É a primeira vez que vejo uma queda tão dramática em uma área tão ampla causada por um evento específico”, disse Fei Liu, pesquisador de qualidade do ar do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, em um comunicado.

Na Itália, fotos dos famosos canais de Veneza, com peixes e cisnes nadando em águas cristalinas, viralizaram na internet. A razão? Diminuição da circulação de embarcações de grande porte no porto, com seus motores revirando o leito dos canais. Isto não significa que ocorreu uma rápida despoluição, mas, sim, que a poluição dos barcos sedimentou, se acumulando no fundo dos canais, e deixando o recado de que é preciso redirecionar o caminho para uma nova relação com a natureza. 

Os novos cenários apresentados em um mundo com emissão reduzida de gases nocivos na atmosfera e com habitantes responsáveis influenciando beneficamente no meio ambiente, poderiam ter ocorrido em um contexto totalmente diferente. O recado positivo; deixado, involuntariamente, através de um evento de impacto negativo; trouxe à mesa discussões e reflexões sobre um futuro antecipado que se mostra cada vez mais necessário e imperioso ao planeta. 

Aceleração do futuro

A comunidade internacional já havia entendido que uma mudança radical se fazia necessária. Eventos iniciados com a Toronto Conference on the Changing Atmosphere, no Canadá, em 1988, com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que produzem o efeito estufa, culminaram em dois grandes acordos entre países signatários: primeiro, o Protocolo de Kyoto, em 1997, seguido do Acordo de Paris, em 2015.

Líderes governamentais e corporativos firmaram um compromisso ambiental, traçaram metas e iniciaram uma corrida contra o tempo em direção à redução de emissões, até 2050. Novas tecnologias e conceitos, como os sistemas inteligentes e autômatos e a geração de energia renovável, foram algumas das soluções encontradas para acelerar esse desenvolvimento sustentável. O que não se sabia era que o “adiantamento” deste relógio se daria por uma fatalidade que atingiria o mundo de forma impositiva e dramática. 

A partir deste acontecimento, houve um desencadeamento de eventos paralelos urgentes e necessários para que o mundo não parasse, redesenhando um presente que estava programado para um futuro relativamente próximo. Essa disruptura ocorrida em vários níveis e setores da sociedade trouxe à tona algumas reflexões e evidências, de que é possível criarmos um convívio mais harmônico entre o ser humano, a natureza e a inovação, em prol de um planeta melhor. As próprias tecnologias desenvolvidas nas últimas décadas se apresentaram como a solução ideal para esta coabitação respeitosa e responsável.

Segundo artigo publicado pela Equipe CIFS BR, do Copenhagen Institute for Futures Studies, “acelerar o futuro” acabou não sendo uma missão tão difícil, dada a iminência de ações que a sociedade já vinha adotando, de forma gradativa. As organizações já se mostravam determinadas a aumentar sua eficiência, através da transformação digital, atentas à inovação aberta.

Segurança da informação: um cuidado necessário nesse mundo mais digital

O recurso da internet virou quase um item de primeira necessidade com o último advento, tanto para a sobrevivência de alguns negócios, quanto para a manutenção de uma vida social segura, sem contato físico. As home offices, as redes sociais, os sites de informação, lazer, consumo, monitoramento, gestão, enfim, todos estão conectados, enviando e recebendo dados, inclusive financeiros. Com isso, é preciso aumentar, também, a segurança cibernética, para evitar acessos indevidos, entrada de vírus ou golpes.

Artigo publicado pela Agência Brasil, no último dia 27 de março, relatava que a empresa especializada em segurança da informação Kaspersky identificou, na América Latina, mais de 300 domínios maliciosos usados para envio de mensagens falsas e 35 para difundir malwares entre fevereiro e 15 de março deste ano, se aproveitando do crescimento drástico no tráfego digital.

Por esse motivo, medidas de segurança como a utilização de certificados digitais (para garantir a autenticidade de documentos), realização frequente de backups e análise de riscos são algumas delas. 

Monitoramento social: recurso deverá ser amplamente usado por empresas

Outro tema que se soma a este debate sobre tendências e ganha foco neste cenário futurista antecipado, é o Monitoramento Social. O monitoramento tende a surgir como um recurso de ação mais efetiva para algumas empresas na identificação de públicos em redes sociais, conforme mencionado no estudo da Copenhagen Institute. Com mais pessoas utilizando a web – seja para bate-papos, reuniões, trabalhos, conferências, lazer ou consumo – e diante de um cenário econômico não muito promissor para os próximos meses, é inevitável que os sistemas de monitoramento se apresentem como uma saída para esses empreendimentos.

Por meio das redes sociais, é possível detectar desde clientes insatisfeitos até opiniões sobre a empresa. “A era da transformação digital possibilita esse maior controle e, por mais que isso gere uma demanda crescente, também é uma grande chance de intervir em situações pouco favoráveis à empresa. 

Neste caminho, abre-se, ainda, a chance de identificar as potenciais transformações sociais e de negócios no período pós-crise. Sobre esse ponto, o estudo da Copenhagen Institute destaca que é justamente nas antecipação dessas transformações e no desenho de cenários futuros possíveis, que residem as maiores oportunidades estratégicas de inovação sustentável para as organizações. 

“O encasulamento digital, a inovação aberta, as novas formas de trabalho, as estratégias de marketplace, a necessidade de revisão dos contratos sociais, a responsabilidade social corporativa, o resgate da relevância das marcas de mídia, a busca de propósito, entre outros, são temas que, agora, não podem mais ser ignorados ou postergados, porque apresentam oportunidades e riscos imediatos.”

Sendo assim, fica a dica: neste novo desenho da sociedade digital, não basta se fazer presente, é preciso mostrar seu compromisso social e ambiental.

Redução da pegada de carbono: compromisso com a responsabilidade ambiental

Aécio Alves, doutor em Sociologia e professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFC), vê a situação como um alerta para o fato de que natureza, sociedade e economia são sistemas interconectados. Para o sociólogo, a primeira lição a ser entendida é que é preciso aprender a agir de forma ecologicamente sustentável. “A procura por empresas e indústrias que consomem muitos combustíveis fósseis ou sem compromisso ambiental, irá cair de forma permanente e os investidores fugirão delas”, prevê o consultor e futurista alemão Gerd Leonhard, em artigo publicado no jornal português Diário de Notícias.

Para o CEO da ENGIE Brasil, Maurício Bähr, em entrevista ao Valor Econômico, incluir em seus planos estratégicos projetos capazes de reduzir ou compensar as emissões de carbono na atmosfera tornou-se, para as organizações, uma exigência de mercado, sem caminho de volta.

“Cada vez mais instituições financeiras e fundos de investimentos cobram boas práticas  de sustentabilidade para financiar empreendimentos e empresas”, diz o CEO.

>> Acompanhe mais conteúdos da série Futuro Acelerado, que aborda os novos rumos da sociedade, em decorrência da antecipação de grandes transformações que estamos vivendo. Acesse aqui e boa leitura!