Ações que resultem em economia, sempre foram uma busca de gestores públicos e privados. São ações que já estavam em andamento e que já faziam parte das discussões de preparação do planejamento estratégico de algumas organizações, por conta de crises passadas ou mesmo por uma postura visionária.

O caso é que, de repente, o mundo se viu diante de uma necessidade iminente de acelerar o futuro e trazer para agora ações pontuais que já vinham sendo adotadas. É certo que a recessão econômica terá forte impacto em todos os setores, com consequências mais graves para uns do que para outros. Mas os reflexos serão significativos para toda a sociedade.

Se adaptando à nova realidade

Se reconfigurar e inovar passa a ser um processo inevitável e essencial para a sobrevivência de muitos negócios e de cidades, segundo apontam especialistas. As organizações que priorizarem estratégias que aliem economia e produtividade, estarão mais bem preparadas para atravessar a crise e retomar o crescimento, em seguida. Esta é a previsão da Equipe CIFS BR, do Copenhagen Institute for Futures Studies, na Dinamarca, que destaca:

“Chega o momento em que, como profissionais, precisamos pensar no futuro das organizações. É muito importante para a sociedade que nossas empresas sobrevivam, se recuperem e voltem a crescer, e isso é nossa responsabilidade. Assumir a posição de protagonista em tempos de crise faz parte da responsabilidade social corporativa”.

Algumas estratégias ideais e urgentes já são indicadas por especialistas para este primeiro momento, para promover uma adaptação à essa nova realidade. Recorrer a novos modelos de negócios, buscar soluções que proporcionem a redução de custos e investir em

inovação e P&D são algumas orientações apontadas por um estudo realizado pela equipe do Conselho de Inovação, da empresa americana de consultoria de gerenciamento Board Of Innovation.

P&D: investindo para driblar a crise e sair no lucro

Investir em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), em um cenário altamente tecnológico, que demanda novos produtos e serviços, numa velocidade maior do que vinha acontecendo, e que atenda necessidades que se fizeram urgentes nos últimos meses, é uma forma inteligente de se “pegar o limão e fazer uma saborosa limonada”.

É justamente durante a crise econômica que os analistas prenunciam que as empresas (das startups às grandes) devem investir em inovação, como orientado anteriormente por especialistas da Board Of Innovation. E inovar, neste novo mundo, significa ser mais digital, interconectado, integrado, humanizado e sustentável. É com foco nestas tendências que se deve pensar em P&D.

“A crise da saúde global suscita questionamentos sobre a forma de viver em sociedade e de os indivíduos pensarem o mundo, a política e a economia. Novos questionamentos existenciais e humanistas, bem como mudanças de políticas públicas e de modelos econômicos, surgirão”, diz o futurólogo Gerd Leonhard, consultor francês nas áreas de tecnologia industrial e entretenimento.

Uma dica para os interessados em investir neste setor é recorrer ao Método Ágil, mais uma novidade conceitual que tem ajudado empresários a estudar um conjunto de comportamentos, processos, práticas e ferramentas utilizados para a criação de produtos inovadores e sua posterior disponibilização para o mercado.

As metodologias e frameworks que fazem parte deste modelo, providenciam toda uma filosofia para conduzir a estrutura de projetos, como os de engenharia de software, por exemplo. Esse conceito é uma ótima alternativa às gestões de projetos tradicionais, que precisarão repensar suas formas de trabalhar diante da necessidade de aprimorar o processo de desenvolvimento e fazer entregas com mais rapidez e com maior frequência.

Open Innovation: ampliando o conceito de inovação para haver colaboração

Outra inclinação no setor P&D para este futuro acelerado, de acordo com artigos publicados nos sites especializados em tecnologia, é o conceito de “Open Innovation”. Criado por Henry Chesbrough, professor da universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, a ideia da “inovação aberta” é romper com uma tradição que vem sendo mantida pelas empresas, de tratar P&D como um grande segredo industrial.

Por maior que seja uma empresa, ela não vai conseguir inovar sozinha neste mundo altamente tecnológico e científico. Por isso que a sugestão dos especialistas é ampliar o conceito de inovação para que haja colaboração entre empresas, pessoas e órgãos públicos, deixando de lado a tradicional estrutura vertical, em que as pesquisas são feitas internamente, assim como o desenvolvimento de produtos e serviços.

É lógico que ninguém está dizendo que todo conhecimento deve ser compartilhado com o mercado, senão a empresa patrocinadora da pesquisa não teria como proteger seu investimento e faturar. A sugestão é que as ideias subutilizadas sejam liberadas para o mercado e que possam ser aproveitadas no processo de inovação de outros interessados.

A ordem para este futuro que começa agora é assumir uma abordagem mais disruptiva e menos centralizada, reduzindo o tempo entre o desenvolvimento e a comercialização, criando mercados, aumentando as chances de aprovação do produto ou serviço, ampliando a base de conhecimento e gerando ideias.

“A parceria com outros players ainda pode produzir aquela mágica que os empreendedores tanto amam: reduzir custos, com o bônus de diluir os riscos”, recomenda artigo publicado pela Distrito, uma união corporativa de várias unidades de negócios, cuja proposta é construir um futuro inteligente.

Foco em automação, priorizando as relações humanas

Para o professor universitário Luiz R. Cascaldi, investir em inovação é crucial para que o empresário possa manter sua produtividade, de forma econômica, neste cenário excessivamente digitalizado, com grandes expectativas de queda no crescimento econômico e alta na chamada “economia low touch” (“economia de baixo contato”). Neste sentido, a automação de processos, no lugar de tarefas e contatos manuais e repetitivos, tem tudo para ser a grande referência do modelo.

“Grupos de colaboradores realizando atividades que poderiam ser realizadas por um número menor de funcionários ou mesmo automatizadas por meio de softwares ou soluções inovadoras, pouco uso da tecnologia, ou microgerenciamento que afeta a dinâmica das rotinas de um negócio; são causas que impactam negativamente no andamento de qualquer companhia e, consequentemente, aumentam seus custos, além de diminuir a entrada de capital”, explica.

“Ao difundir uma cultura de inovação, com uso mais intensificado de soluções e ferramentas no suporte às atividades do dia a dia, a tendência é que sua empresa veja o crescimento dos índices de produtividade e adquira diferenciais competitivos advindos de um processo de transformação digital”, ressalta.

Se de um lado a tendência é automatizar, há também a valorização do trabalho intelectual e de relacionamentos mais duradouros, segundo aponta Federico Vega, mestre em Economia formado pela Southampton University, em artigo publicado na revista Exame, em fevereiro deste ano.

“No fim do dia, isso significa dar mais prioridade às relações humanas. Assim, automatizar processos manuais não significa um perigo para o futuro do emprego, mas libera os colaboradores para focar na relação com as pessoas. Para isso, as empresas precisarão capacitar seus funcionários para lidarem com as novas tecnologias e também no aprimoramento de ‘soft skills’”, aconselha o economista.

Energia: sistemas inovadores garantem economia, produtividade e agregam valor

Diante de previsões econômicas nada animadoras para os próximos meses, com uma recessão profunda à vista, os analistas acreditam que o ambiente altamente tecnológico, com um leque de soluções inovadoras no mercado, ofereça as ferramentas necessárias para que cidadãos, gestores públicos e privados, possam reduzir seus custos com contas básicas, como energia e utilidades.

Existem muitas formas de se reduzir gastos orçamentários e manter a produtividade, e uma delas é a utilização de sistemas inteligentes de geração e gestão de energia. Estas são soluções econômicas que reduzem os impactos ambientais e que constroem uma cultura do consumo eficiente e responsável de energia e utilidades.

“O mercado oferece sistemas de gerenciamento e monitoramento de energia com preços acessíveis, de fácil instalação e manuseio, com todo o acesso às informações de consumo de energia elétrica, feito via internet e remotamente acessível. Tudo o que o grande consumidor de energia vai precisar neste novo cenário que se apresenta”, diz o especialista em gerenciamento de energia, Alexander Dabkiewicz, com 25 anos de experiência na área.

Já os geradores de energia renováveis, como os sistemas fotovoltaicos ou eólicos, somados aos gerenciadores de energia, são mais algumas alternativas apresentadas aos grandes consumidores, uma vez que são fontes sustentáveis, que promovem uma economia significativa na conta e mantém o ritmo produtivo.

“O uso da energia fotovoltaica é a alternativa perfeita para quem busca uma fonte limpa que estimule o crescimento econômico, mas que tenha baixo ou nenhum impacto ambiental, pois ela é capaz de reduzir tanto o gasto com consumo energético quanto suas emissões de CO2 no ar”, complementa Charles Bispo, especialista em Geração Distribuída da ENGIE.

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