Nunca a tecnologia digital se fez tão necessária para a sociedade, com todos os seus recursos, como na atual conjuntura. Todos, por algum motivo, precisaram se render às ferramentas oferecidas por este mercado, para se manter ativo e produzindo.

A expectativa de uma nova era digital

A indústria digital, ampla em seus tentáculos tecnológicos – IoT, IIoT, Cloud Computing, I.A… -, tem disponibilizado softwares no mercado para atender necessidades simples ou complexas, com sistemas automatizados ou de digitalização básica. As opções são variadas, assim como variado é o público que demanda essas plataformas. 

Seja para lazer, trabalho, estudo ou mesmo para possibilitar ações remotas como gerenciar, monitorar, ligar e desligar equipamentos, realizar pesquisas científicas ou procedimentos cirúrgicos, diagnosticar doenças ou detectar focos de aglomeração em tempo real; pode-se dizer que as inovações tecnológicas têm salvado vidas, no amplo sentido da palavra, neste momento difícil em que o mundo passa. 

Mudança de mindset rumo a um mundo digital

Este “boom” tecnológico, provocado por uma crise global sem precedentes, levou o futurólogo francês Gerd Leonhard a afirmar que “estamos entrando, antecipadamente, em um novo Renascimento”.

“Há momentos históricos em que o futuro muda de direção. Nós os chamamos de bifurcações. Ou crises profundas. Estes tempos são agora. O mundo como o conhecemos está se dissolvendo. Mas por trás dele surge um novo mundo, cuja formação podemos pelo menos imaginar”, diz Gerd, que também é consultor na área de tecnologia e entretenimento.

Já Luiz Alexandre Castanha, especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais, em artigo no Estadão escreveu: Será uma verdadeira mudança de mindset rumo a um mundo digital. É a oportunidade de massificar de uma vez a utilização de ferramentas de EAD, telepresença realidade virtual e aumentada!”

A lista de “cenários futuros acelerados”, descrita pela equipe da Copenhagen Institute For Futures Studies (CIFS), traz o “encasulamento digital” e a “inovação aberta” como parte de uma reconfiguração evidente e inevitavelmente necessária pela qual a sociedade passará. 

“A inovação passa a ser um artigo de primeira necessidade, tanto para processos como para modelos de negócio”.

A automatização será protagonista na reconstrução pós-crise

Apesar de a automatização já ser uma realidade presente, utilizada em muitos setores da sociedade, seja por gestores públicos ou privados, especialistas acreditam que a reconstrução pós-crise será, em grande parte, feita com a utilização destes sistemas.

O mercado, segundo prevê o PhD e consultor de tecnologia Daniel Araya, será transformado por uma revolução no uso de Inteligência Artificial e aprendizado de máquina (gerenciamento de decisões, previsão, classificação de dados).

“De fato, as tecnologias orientadas a dados começaram a reformular permanentemente a natureza do trabalho em favor da automação da máquina – particularmente na tomada de decisões. À medida que a IA e o Big Data são implantados em escala, sua capacidade de ‘industrializar o aprendizado’ tornará impossível a competição humana”, escreve Araya em um artigo para a Forbes.

Estudo recente da Brookings Institution também confirmam que a automação deve aumentar com a atual crise econômica. Um dos motivos seria a redução de custos com pessoal e consumo de energia, a maior eficiência e precisão na realização de tarefas, além do valor agregado nesses sistemas. 

“Construído sobre uma base industrial altamente automatizada, a próxima sociedade pós-crise encontrará seu objetivo em sistemas que catalisam um novo humanitus digital. A assimetria de informação entre humanos e máquinas é a base da economia baseada em dados. Mas também é a base do renascimento digital que se aproxima”, prognostica Araya, que trabalha na interseção entre empreendedorismo, inovação e políticas públicas, além de ser Senior Partner da Cúpula Jurídica Mundial e membro do Center for International Governance Innovation.

Segurança cibernética: é preciso ser seletivo na escolha das ferramentas digitais

Com tantas pessoas online, acessando e enviando dados e imagens, uma questão importante acaba vindo à tona: como garantir segurança cibernética nesses tempos de uso excessivo de ferramentais digitais? Esse é um ponto que não pode ser deixado de lado e que, agora, precisa receber “um outro olhar”, como ponderou a equipe da CIFS.

“O monitoramento social foi um dos assuntos mais quentes do final da década passada, sob a ótica da proteção de dados pessoais. Agora recebe um outro olhar, o da segurança coletiva”, diz o estudo da Copenhagen Institute, colocando sobre a mesa uma discussão que deixa um importante alerta: é preciso buscar serviços em empresas consolidadas no mercado, que desenvolvam sistemas que garantam a segurança de seus usuários e tenham um compromisso no cumprimento das leis e de suas políticas de privacidade.

Por outro lado, existe a contrapartida dos usuários, que podem sair do passivo papel de “monitorados” para serem ativos “monitoradores”, no cumprimento de seu papel fiscalizador como cidadãos presentes e participativos nesta nova sociedade: mais exigente e socialmente responsável.

“Definitivamente, devemos fazer uso de novas tecnologias, mas essas tecnologias devem dar poderes aos cidadãos. Sempre que as pessoas falarem sobre vigilância, lembre-se de que a mesma tecnologia de vigilância, geralmente, pode ser usada não apenas para monitorar indivíduos, mas também por indivíduos para monitorar”, pontua Yuval Noah Harari, autor do best seller ‘Sapiens’, em artigo publicado no ‘Financial Times’.

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