Olhar à frente e entender que o futuro se desenha com ações no presente, de forma gradativa, é uma atitude das chamadas “smart people” que, juntas, têm ajudado na criação de “smart cities”. “Smart”, que em inglês significa “inteligente”, é exatamente a proposta deste conceito, que tem a inovação tecnológica, a interconexão da sociedade e a sustentabilidade como os principais pilares.

Esse já era um caminho que vinha sendo trilhado, com o uso de soluções inovadoras, integradas, de baixo custo e impacto ambiental reduzido, seja com geração de energia renovável ou sistemas automatizados, mesmo antes dos últimos acontecimentos.

Com a necessidade imposta de se acelerar o futuro e trazer para agora algumas ações que já vinham sendo adotadas, o mundo se vê na iminência de adiantar, também, a transição do antigo modelo de sociedade para um novo, muito mais “smart”.

“O mundo mudou, e aquele mundo não existe mais. A nossa vida vai mudar muito daqui para a frente, e alguém que tenta manter o status quo de 2019 é alguém que ainda não aceitou essa nova realidade. Mudanças que o mundo levaria décadas para passar, que a gente levaria muito tempo para implementar voluntariamente, a gente está tendo que implementar no susto, em questão de meses”, disse Átila Iamarino, doutor em microbiologia pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Yale, em entrevista à BBC Brasil.

Tendências deverão ser mantidas por uma questão de sobrevivência

São soluções que vinham sendo adotadas de forma pontual e conceitual e que se tornaram, hoje, uma realidade coletiva necessária e tem tudo para ficar.

A manutenção dessas tendências por parte de cidadãos, gestores públicos e privados, se tornou uma questão de sobrevivência. É preciso estar preparado e se prevenir, em prol da saúde das pessoas, do planeta e da própria economia. Até porque, o mundo que conhecemos, há alguns meses atrás, ficou em 2019 e não volta mais.

Para Aécio Alves, doutor em sociologia e professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Cerá (UFCE), a primeira lição a ser entendida é que é preciso aprender a agir de forma ecologicamente sustentável.

“Como regra, as doenças resultam de intervenções e afetações causadas pelas atividades econômicas ao ambiente natural. Daí porque é insensato e insustentável insistir na linearidade de um processo econômico que se resume à extração de recursos naturais, sua transformação e descarte de resíduo”, afirma.

Soluções inovadoras são ferramentas para ações sustentáveis

Com menos pessoas circulando nas ruas, um fato foi percebido: o planeta conseguiu respirar melhor. Reduziu-se drasticamente o número de veículos transitando nas vias, indústrias suspenderam as atividades e prédios comerciais fecharam as portas. Quem pôde, deu continuidade aos negócios com seus colaboradores em casa.

Mas será que o problema são os veículos, as máquinas ou climatizadores funcionando a todo vapor? Ou a questão é a emissão de gases poluentes, como o CO2, de forma indiscriminada? O mercado oferece uma gama de soluções inovadoras e sustentáveis para mobilidade urbana, Facility Management, gestão e operação, entre outros, que garantem a qualidade de vida dos cidadãos, o funcionamento das cidades, empresas, indústrias e serviços.

“Agora, mais do que nunca, a mobilidade tem que se transformar em algo mais sustentável, e essa transformação só será possível se eletrificarmos nossa mobilidade urbana, com carros elétricos, caminhões elétricos, ônibus elétricos… Como já é feito em outros países da Europa, por exemplo.

Mas, para que isso seja uma realidade no Brasil, é preciso implantar uma infraestrutura de carregamento, algo que ainda não temos e que precisa ser pensado pra ontem, se quisermos ter um planeta mais saudável e um mundo mais ‘smart’”, orienta o francês Kevin Alix, especialista da ENGIE em soluções de Smart City, principalmente mobilidade elétrica, em cidades de vários países, como Annecy, na França, Genebra, na Suíça e Johanesburgo, na África do Sul, entre outras.

Novos modelos de negócio “as a service”

Adotar soluções “smart” pode parecer algo longe da realidade de algumas empresas, cidades e pessoas, por conta do investimento que envolveria tal projeto. No entanto, a previsão é que, dentro deste novo mundo, ganhem espaço os novos modelos de negócio, como o “as a service”, com alternativas financeiras realizadas por meio de parcerias, contratos de longo prazo, soluções asset-based, entre outras.

São formatos que serão necessários e muito bem vindos em um cenário econômico que se projeta difícil nos países afetados.

“Reduzir custos e obter resultados rápidos são essenciais em qualquer projeto corporativo sério de eficiência energética que esteja antenado com as tendências mundiais. E as soluções ‘as a service’, inteligentes e integradas, vão cair como uma luva para este futuro que foi acelerado”, diz Giuseppe Alessandro Signoriello, na ENGIE.

“Já existia uma urgência no planeta, de torná-lo sustentável. Agora, isso se tornou uma questão de sobrevivência”, conclui, deixando para reflexão nosso papel de cidadãos corresponsáveis pela vida na Terra e o caminho disruptivo que estamos trilhando para a construção deste novo mundo.

>> Acompanhe mais conteúdos da série Futuro Acelerado, que aborda os novos rumos da sociedade, em decorrência da antecipação de grandes transformações que estamos vivendo. Acesse aqui e boa leitura!