O acrônimo As-a-Service começou a circular em 2000 após o advento da computação em nuvem e foi usado pela primeira vez na sigla Software-as-a-Service (SaaS). Basicamente, o SaaS é um modelo pelo qual é possível alugar um software desenvolvido por terceiros sem precisar comprar uma licença.

Ao longo dos anos, diferentes tipos de As-a-Service entraram em jogo e a definição saiu da área de Tecnologia da Informação (TI) para invadir outros campos.

A título de exemplo, mais recentemente a Uber tornou fácil e conveniente para um usuário ter um transporte como serviço a um preço competitivo, sem precisar ser dono de um carro. A Netflix interrompeu a indústria da TV e do cinema trazendo escolha, acessibilidade e simplicidade para dentro de casa.

Seguindo esse modelo, fala-se cada vez mais em servitization: a estratégia de servitização, ou transformação de serviço, que envolve a transição da venda de um produto, ou de um serviço padrão, para a prestação de uma solução real. Isso por meio de um pacote de produtos e serviços (a maioria das vezes, personalizados) com o objetivo de satisfazer uma necessidade específica de um cliente, ou seja, colocando o cliente no centro do modelo de negócio.

A servitização marca a transição de uma economia de produtos para uma economia de serviços e experiências, que podem ser utilizadas através de interfaces físicas e digitais.

Energy-as-a-Service: uma tendência global

Neste contexto de grande transformação, o modelo Energy-as-a-Service (EaaS) está se afirmando na indústria de energia e utilidades, impulsionado pela digitalização, descarbonização e descentralização. De fato, de centralizado e verticalmente integrado, estamos migrando para um sistema distribuído, intermitente, horizontalmente em rede e bidirecional.

Empresas com metas de sustentabilidade e ao mesmo tempo interessadas em reduzir os custos ligados ao consumo de energia, fazem parceria com a empresa que oferece EaaS, que possui os recursos técnicos, financeiros e a expertise para implementar formas de economizar energia. Os provedores de EaaS oferecem não apenas energia elétrica e utilidades, como água gelada, vapor ou ar comprimido, mas também a tecnologia, ao mesmo tempo em que fornecem análises e serviços personalizados.

Além da economia resultante do consumo de energia otimizado, o modelo EaaS oferece contenção de custos, poupando as empresas do gasto de capital de investir em infraestrutura eficiente em energia. As empresas que operam sob o modelo EaaS experimentam assim melhores eficiências operacionais e um fluxo de caixa positivo como resultado da redução de custos de energia e manutenção. Além disso, essas empresas reduzem automaticamente o risco de pagar por ativos de baixo desempenho, ao mesmo tempo que pontuam em suas metas de sustentabilidade.

A experiência, até o momento, com esse modelo baseado em serviços revela a possibilidade de se alcançar uma economia de energia de 20% a 25%. A Universidade Estadual de Ohio, por exemplo, estima obter 25% de melhoria da eficiência energética do seu próprio campus universitário nos dez primeiros anos de contrato fechado com a ENGIE. O contrato, no modelo EaaS, tem duração total de 50 anos.

Embora ainda relativamente nascente, o mercado EaaS promete novas oportunidades, especialmente com a crescente adoção de fontes de energia renovável distribuída, a transformação do setor de transporte por meio da eletrificação, e o maior foco em energia sustentável.

Conforme pesquisa da Market Research Future, o mercado global de EaaS foi avaliado em US$ 10,6 bilhões, em 2017, e deve atingir aproximadamente US$ 51,8 bilhões até 2023, com um CAGR de 31,2%.

E a ENGIE é líder global entre os provedores de EaaS, de acordo com a Navigant Research. No Brasil, atuamos nessa área desde 2014 e confirmamos a tendência global de crescimento deste modelo que reduz os riscos dos nossos clientes e ao mesmo tempo permite elevar as metas de sustentabilidade e de eficiência energética e, por consequência, reduzir os custos ligados ao consumo de energia.

Artigo produzido por Giuseppe Signoriello

Giuseppe Alessandro Signoriello é Gerente de Marketing e Sucesso do Cliente na ENGIE Brasil