Diante do delicado cenário mundial, as ações de prevenção e cuidados com a saúde serão imprescindíveis durante e após este momento difícil que o mundo atravessa, inclusive quando o assunto é a climatização do ambiente de trabalho.

No mundo, são cerca de 1,6 bilhão de condicionadores de ar em uso (comercial e residencial) e sabe-se que a climatização é necessária para o funcionamento de diversos segmentos de atuação, como hospitais, supermercados, farmácias, data centers, entre outros. 

Por este motivo, a ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) emitiu em seu site um esclarecimento com alguns pontos sobre o uso dos equipamentos e a importância da manutenção desses sistemas, que podem contribuir para a saúde, produtividade e garantia dos processos realizados em determinados locais.

“Ambientes sem climatização, sem ventilação, ou mesmo sem a manutenção adequada dos ambientes climatizados são fatores insalubres, prejudiciais à saúde e improdutivos”, informa o texto da Associação, que lista os quatro itens determinantes para garantir a qualidade do ar: filtragem, controle de temperatura e umidade, renovação e monitoramento da qualidade do ar.

Seguindo normas e leis de limpeza e manutenção do ar

A limpeza em sistemas de climatização é vital para garantir a qualidade do ar que respiramos, conforme explica Marcelo Monteiro, especialista em condicionamento de ambientes e refrigeração da ENGIE Brasil.

“Com ela, elimina-se a sujeira (partículas sólidas suspensas no ar) e evita-se a formação de fungos e bactérias, bem como reduz a contaminação por vírus. Já a manutenção garante a produção de frio com o menor consumo elétrico (eficiência energética) e com segurança operacional (evita acidentes como choque elétrico e incêndios)”, diz. 

Ainda segundo Marcelo, a limpeza deve ser feita mensalmente, conforme a Lei 13589/ 2018, que garante a execução do PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle), determinados pela Resolução do Ministério da Saúde (ANVISA, a RE-09/2003). O PMOC apresenta os níveis máximos de concentração dos poluentes mais conhecidos e de fácil detecção, entre eles, o índice de CO2 e quantidade de fungos, em ambientes climatizados, que utilizam equipamentos de produção de frio de capacidade superior a 5 TR. 

“Neste plano, além das tarefas rotineiras de manutenção, é previsto, também, periodicamente, a análise da qualidade do ar interior em laboratório especializado. O resultado dessa análise, além de ser um indicativo da qualidade da manutenção, determina ou não, a necessidade da limpeza da rede de distribuição do ar (dutos) e higienização de bandejas”, diz o especialista da ENGIE, revelando que já existem tecnologias desenvolvidas que vêm sendo aplicadas para purificar e descontaminar ambientes fechados que, segundo os fabricantes, podem eliminar contaminantes expelidos por um espirro dentro de 1m, com eficiência de 99%.  

Outro ponto importante, a  limpeza do sistema de climatização deve ser executada por técnicos especializados e munidos de todos os equipamentos e EPI’S – Equipamentos de Proteção Individual, tais como botinas de borracha, máscaras e óculos de segurança. Isso garante que não ocorrerá contato ou exposição dos técnicos com produtos químicos utilizados na limpeza.

Ecoeficiência: bens e serviços sustentáveis a preços competitivos

Além dos cuidados com a saúde, outros dois pontos a se pensar neste momento pelo qual o planeta passa, são as questões da sustentabilidade e da economia. Estes são temas que estão no centro do debate para este futuro que já começou.

A ecoeficiência e o fornecimento de bens e serviços sustentáveis a preços competitivos que satisfaçam as necessidades humanas serão essenciais para promover a redução dos impactos ambientais e de consumo de recursos naturais. Para Aécio Alves, doutor em Sociologia e professor do curso de Economia Ecológica da Universidade Federal do Ceará (UFCE), a primeira lição a ser entendida neste momento é que “é preciso aprender a agir de forma ecologicamente sustentável”. 

Segundo a nota técnica 030/2018 da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), as edificações são responsáveis por 51% do consumo elétrico, sendo os sistemas de climatização os que mais pesam. Esses sistemas são responsáveis por 15% de toda a energia elétrica consumida mundialmente, o que corresponde a 4,5% do total de gases relacionados ao efeito estufa, segundo a Emenda Kigali.

Firmada em 2016, em Ruanda, a Emenda só passou a vigorar em janeiro de 2019, e estabelece, entre outras coisas, um calendário com prazos e percentuais específicos para que os países de diferentes agrupamentos econômicos reduzam e, finalmente, eliminem o uso desses chamados gases fluorados, substituindo-os por outros que não contribuam para o aquecimento global.

“No ritmo atual, se nada for feito, a refrigeração vai representar 20% das emissões globais de gases do efeito estufa até 2050. No Brasil, se utilizarmos condicionadores de ar com eficiência energética 30% maior do que os atuais até 2030, poderemos gastar menos 32 GW de eletricidade, o equivalente a 52 usinas térmicas de porte médio”, diz o especialista Marcelo Monteiro.

Desta forma, reduzindo as emissões de gases do efeito estufa do setor elétrico em 23%, serão deixados de emitir o equivalente a 16,79 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera. 

Um condicionador de ar ecoeficiente, por exemplo, requer maior eficiência energética na fabricação, projeto e instalação adequados à carga térmica; operação e uso racional; e manutenção planejada, para garantir a vida útil do equipamento e a segurança dos usuários.