Em janeiro deste ano, o sistema elétrico brasileiro passou a ter um novo modelo de precificação para a energia. Esse novo modelo passou a ter previsão diária e granularidade horária. Resumidamente, passamos a ter um preço de energia para cada hora do dia seguinte. Até o ano passado, os preços eram calculados toda sexta-feira com horizonte de projeção semanal e granularidade por patamares de carga (leve, média, pesada).

Essa alteração na dinâmica da projeção dos preços e na sua granularidade traz para o consumidor a possibilidade de gerir a sua carga. Os preços horários testes rodados desde 2018 apresentam em suas curvas horárias preços mais elevados para o início da tarde e preços mais baixos para o período da madrugada. Como exemplo, um consumidor com consumo no período da tarde poderá gerir parcialmente ou totalmente a sua carga e passar a consumir no período noturno. Esse tipo de alteração no seu regime de consumo pode fazer com que  seu custo com energia seja reduzido. Para que essa economia aconteça é necessário que o consumidor esteja no mercado livre de energia com um contrato de energia sem modulação.

A recomendação nesse caso é que se tenha uma equipe com expertise para apoiar o cliente nesse processo, com um acompanhamento proativo, e que também haja um sistema de gestão de carga que possa potencializar essas oportunidades, provendo informações relevantes em tempo real e permitindo ações que contribuam para que sejam obtidos os melhores resultados.

O sistema de gestão de energia que poderá auxiliar de maneira efetiva o consumidor de energia a potencializar as oportunidades com o PLD horário deverá ter as seguintes capacidades:

  • Efetuar, além da medição principal do consumo de energia, uma série de medições setorizadas (submedições) para que haja informações detalhadas de diversos setores internos de uma unidade consumidora
  • Realizar medições do consumo de energia, trazendo dados com amostragem e atualização no máximo a cada hora, conforme a granularidade do novo PLD
  • Medir todas as variáveis que impactem em uma fatura de energia CUSD: demanda (15 minutos) e fator de potência horário, além do consumo
  • Ter capacidade de expansão, permitindo que diversas medições setoriais sejam conectadas a um mesmo sistema
  • Permitir arquitetura distribuída, diversas formas de conectividade e integração para otimização de custos
  • Consolidar as informações de energia em uma plataforma interativa e intuitiva, via internet e com aplicativos disponíveis para smartphones
  • Gerar métricas e indicadores de performance (KPIs)
  • Ter capacidade de realizar o controle automático sobre cargas elétricas, com a possibilidade de programação remota

O sistema dotado dessas capacidades permitirá:

  • Conhecer o perfil horário de consumo das principais cargas elétricas (de setores ou áreas) da unidade consumidora
  • Conhecer a participação de cada uma dessas cargas no custo e uso de energia total
  • Efetuar a administração dos horários de funcionamento de cargas elétricas mapeadas
  • Planejar a operação e assim deslocar, de maneira geral, a curva de carga para maior consumo nos horários mais atrativos
  • Consumir menos nos horários com os maiores preços
  • Conhecer a correlação de consumo das áreas
  • Modular o funcionamento de cargas automaticamente
  • Gerar alertas em caso de consumo horário fora da curva desejada
  • Identificar oportunidades de ações de eficiência energética em cargas menos eficientes
  • E, com tudo isso, reduzir custos!

É importante destacar também que um sistema de gestão de cargas permite que o consumidor de energia conheça o perfil de consumo em detalhe, o que possibilita que ele negocie os melhores contratos de energia para as unidades que estão migrando para o mercado livre de energia.

Texto por Álvaro Scarabelot e Alexander Dabkiewicz.

 

 

Álvaro Scarabelot, Gerente Gestão de Riscos e Inteligência de Mercado da ENGIE

 

 

Alexander Dabkiewicz, Gerente de contratos de Soluções da ENGIE